A importância de estar Aqui- AGORA!

Quando nos concentramos no momento presente, conseguimos compreender a temporalidade das situações e perceber a possibilidade de modificar a perspetiva de permanecer numa situação difícil ou num estado patológico.

  • Ser ansioso é diferente de estar ansioso.
  • Ser depressivo é diferente de estar a passar por uma depressão.
  • Ser angustiado é diferente de estar a passar por alguma situação angustiante.

Ou seja, não somos nada, mas estamos alguma coisa, não somos tristes ou felizes, mas estamos tristes ou felizes, muito dos sentimentos que acreditamos ser, na verdade são algo de estado passageiro. A clareza da condição de estar com depressão e não, de ser um depressivo, pode ser libertadora, pois apresenta a possibilidade de controlar o que somos.

A neurociência vem concluindo que não nascemos com os nossos circuitos neurais prontos, mas que eles vão sendo construídos ao longo da nossa história e da forma como lidamos com ela. É por isso que podemos construir as nossas emoções, mudar comportamentos negativos e ensinar o nosso cérebro a agir de forma diferente.

“É possível ter autocontrole e equilíbrio emocional”, Cláudia Feitosa-Santana.

Estudos recentes apontam para uma ligação entre as partes límbica e frontais do nosso cérebro, o que sugere que existe um processamento cognitivo das emoções, e isso indica que podemos ter muito mais controle sobre nossas emoções do que pensávamos. Ou seja, é possível ter autocontrole e equilíbrio emocional, (Cláudia Feitosa-Santana, mestre e doutorado em neurociências).

Esta construção pode ser acontecer agora, na observação do que você sente, na identificação das previsões e construções que o seu cérebro faz do mundo. Criando novas emoções você poderá modificar essas previsões e construções.

Só depende de você, AGORA!

A importância de desenvolver a sua Inteligência Emocional

Há diferentes tipos de inteligência, a inteligência emocional é apenas uma delas, e também pode ser desenvolvida como qualquer outra. Não precisamos e na maioria dos casos, não conseguimos ser bons em todas as áreas, o que não significa que não possuímos inteligência. Há quem se destaque na inteligência linguística, outros na lógica, ainda outros na musical e etc. Ou seja, alguém não ser bom com números, não significa que não seja inteligente, assim como, quem escreve muito bem pode não ser um gênio em outras áreas. Todos nós temos nossos pontos fortes e fracos!

Na inteligência emocional como em qualquer outra, pode-se aprender e desenvolver habilidades, e neste caso é preciso aprender a entender e a gerir as próprias emoções e as emoções dos outros. Portanto, inteligência emocional é a capacidade de identificar, entender e administrar as emoções, suas e dos outros, ou seja, aprender a lidar com os seus sentimentos e com a manifestação do sentir do outro.

Na inteligência emocional há três habilidades importantes que devem estar presentes e/ou serem desenvolvidas pelo indivíduo: a consciência emocional, o controle emocional e o manejo emocional.

Na primeira, o indivíduo é capaz de identificar e nomear as suas emoções, saber quando e como essas emoções se manifestam. Na segunda, a pessoa é capaz de utilizar as emoções de forma controlada, utilizando-as de modo positivo e construtivo, evitando que as emoções atrapalhem o seu julgamento e controlem as ações. E por fim, o manejo emocional está relacionado com a capacidade de administrar e controlar a manifestação das próprias emoções, mas também, conseguir identificar e auxiliar os outros neste controle.

Para saber se já tens algum grau inteligência emocional desenvolvida é importante tentar perceber os seguintes fatores:

  • É capaz de identificar suas emoções, tanto positivas quanto negativas?
  • Consegue administrá-las impedindo que interfiram no seu dia a dia, transformando os sentimentos em algo produtivo?
  • É uma pessoa sensível às emoções dos outros e consegue auxiliá-los na administração das mesmas?

Se possui dificuldades em alguma das áreas descritas, não se preocupe, a inteligência emocional pode ser desenvolvida em certo grau e treinada!

Quanto melhor a consciência e o controle emocional, melhor serão as relações estabelecidas em qualquer área da vida. Essas habilidades auxiliam muito no dia a dia, nos contextos de trabalho, nos relacionamentos interpessoais e para o desenvolvimento profissional.

Portanto, há cinco passos que podes começar a treinar para desenvolver a sua inteligência emocional:

1. Observe como reage em relação aos outros e pratique a empatia – Tente sempre colocar-se no lugar do outro, sem julgamentos e preconceitos. Tente entender os motivos das ações dos outros para tentar entender melhor as emoções e como elas influenciam as ações.

2. Tente perceber suas reações diante de diferentes situações no teu dia – Já disseste algo no calor do momento e se arrependeu?! Tiveste atitudes que não teria se tivesse pensado antes de agir?! Como reage às situações estressantes, frente a vitórias, fracassos ou quando está triste e com raiva?! Às vezes as emoções falam mais alto e controlam as ações, se você perceber que isso costuma ser frequente em sua vida, talvez esteja na hora de repensar seus padrões de comportamento e tentar modificá-los.

3. A consciência emocional é a primeira habilidade da inteligência emocional – Esteja constantemente observando-se, autoavaliando-se, olhando para suas ações, reações, sentimentos e emoções. Perceber nossas falhas é o primeiro passo para modificá-las!

4. Assuma as consequências e responsabilidades de seus atos e palavras – Peça desculpa, converse, assuma seus erros. Abrir-se para os sentimentos das outras pessoas também auxilia o entendimento dos motivos dos seus atos, e também é uma forma de reatar relações e criar um ambiente agradável.

5. Fique atento à reação das pessoas diante do que você fala e faz – Costumo dizer que as relações são ação e reação, muitas das vezes, a maneira que uma pessoa te trata é apenas reflexo direto de como estas a tratá-las.

Estar atento nestas situações pode ajudar-te a modificar atitudes que podem estar a prejudicar o estabelecimento de relações saudáveis e construtivas.

A psicoterapia é outra forma de te ajudar neste processo com a identificação de mecanismos inconscientes e da utilização das ferramentas necessárias e que estão dentro de ti!

Luto – A dor que parece não ter fim – o que fazer?

Durante a vida podemos vivenciar inúmeros processos de luto, uma vez que, o luto esta ligado não só a perda de alguém significativo, mas a qualquer tipo de perda, separação ou finalização de alguma situação onde houve investimento pessoal/emocional.

“O luto nos convoca a olhar para nossa fragilidade diante da vida e das situações”

Com ele temos que aprender a nos posicionar de outra maneira, a reconstruir o nosso lugar de existência. Ou seja, a dor convoca-nos a aprender, a crescer e a evoluir subjetivamente.

Contudo, quando não conseguimos ultrapassar este processo de sofrimento, o luto pode tornar-se patológico, que é exatamente o oposto do se espera dele, ou seja, diante da dor o sujeito fica estagnado, não consegue ver mais perspetivas e passa a andar às voltas do seu sofrimento.

“É inevitável e necessário sentir a dor, mas também é preciso fazer alguma coisa com ela”

Por isso, o luto exige uma reconstrução de si mesmo, uma adaptação à uma nova realidade onde agora há espaço vazio a ser preenchido. Isto é um processo com determinadas fases e que na maioria das vezes não são lineares, onde nem sempre avançar para a próxima significa não retornar a anterior.

Por mais difícil que posso parecer superar esse sofrimento, todos temos a capacidade de ressignificá-lo, dando um novo sentido aquele vazio que a dor da perda deixou dentro de nós, e principalmente, dar a si próprio a possibilidade de transmutar esse sentimento e fazer da perda uma oportunidade de transitar para tantos outros lugares possíveis para além da dor.