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Tristeza saudável versus Tristeza patológica

A psicanálise não nos ensina apenas sobre o que temos que renunciar, mas também sobre o que é importante evitar.

Uma das maiores dificuldades do sujeito é conseguir renunciar às suas escolhas, mesmo quando as mesmas já não fazem mais sentido e estão a trazer sofrimento.

Saber reconhecer o que faz mal é fundamental para evitar situações, pessoas e ambientes adoecedores.

Quantas vezes mantemos um trabalho durante longos anos pela estabilidade que ele representa, mesmo em detrimento do bem-estar e da saúde.

Quantas vezes mantemos relacionamentos infelizes pelo medo da solidão ou do julgamento alheio.

Quantas vezes os receios diante da incerteza do amanhã paralisam uma mudança necessária e decisiva para a construção de novos caminhos que poderiam trazer mais felicidade.

Todos os dias vivemos pequenos lutos, mas às vezes evitamos confrontá-los ao decidir não renunciar às escolhas que outrora fizeram sentido, mas que hoje não sintonizam mais com quem nos tornamos.

Decidir aceitar o processo doloroso que é soltar aquilo que um dia foi uma escolha significativa para que a vida possa prosseguir é possibilitar através da renúncia abrir espaço para que o novo possa nos surpreender.

Aceitar que a tristeza pode ser uma reação natural e adaptativa às experiências de vida e que não é preciso eliminá-la a qualquer custo, nos ajuda a encarar a dor como uma companheira, aquela que nos permite parar, refletir, ponderar e agir de forma menos impulsiva.

A tristeza pode ser uma aliada quando nos convoca a refletir sobre o que não está bem, quando nos ensina a renunciar e, principalmente, a evitar outras (novas) situações que podem novamente nos adoecer.

A tristeza no seu estado patológico tem uma duração prolongada e uma intensidade acentuada, muitas vezes paralisante. É totalmente distinta da tristeza adaptativa e em muitos aspectos saudável, que menciono acima.

Quando falamos da tristeza no seu estado patológico à busca por um apoio profissional é urgentemente indicada.