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O que são Crises de Ansiedade, Ataques de Pânico e Fobias

Muitas pessoas chegam à terapia com uma sensação difícil de traduzir em palavras.

Não conseguem explicar o que sentem e nem de onde isto vem, mas descrevem sensações físicas incómodas e que condicionam o seu bem-estar.

E, muitas vezes, é assim que a ansiedade se apresenta.
Não começa necessariamente como um pensamento claro.
Começa no corpo.
Começa como um sinal.

Crises de ansiedade

As crises de ansiedade surgem quando algo interno ultrapassa a capacidade de elaboração naquele momento.
Aquilo que não encontra espaço para ser simbolizado, acaba por se manifestar no corpo. Muitas vezes o que mais assusta não é o sintoma em si, mas a sensação de perda de controlo.

Podem surgir sinais como:

  • aperto no peito
  • respiração acelerada ou falta de ar
  • tensão no corpo
  • pensamentos repetitivos ou catastróficos
  • dificuldade em relaxar

E aqui a questão não é apenas “o que está a acontecer com o meu corpo”, mas sim, refletir o que é que estes sintomas estão a tentar dizer sobre o meu estado interno.

Ataques de pânico

No ataque de pânico, essa experiência torna-se ainda mais intensa e surge de forma súbita, muitas vezes sem aviso, e pode fazer a pessoa acreditar que algo grave está a acontecer naquele momento. Muitas pacientes relatam uma “sensação de morte”.

É como se, de repente, o sujeito fosse invadido por uma angústia que não consegue nomear. Surge um medo avassalador, na maioria das vezes sem uma causa definida.

Na perspetiva psicanalítica, o pânico pode ser compreendido como uma irrupção de angústia sem mediação, onde algo do inconsciente emerge sem conseguir ser representado. É uma experiência que escapa à lógica, mas não ao sentido.

É comum surgir:

  • batimento cardíaco acelerado
  • tonturas ou sensação de desmaio
  • medo de perder o controlo ou “enlouquecer”
  • sensação de irrealidade
  • medo intenso, mesmo sem perigo real

Na prática, o corpo entra em estado de alerta máximo, mesmo quando não existe uma ameaça concreta.

Fobias

Nas fobias, a angústia encontra um lugar.
Existe uma deslocação: aquilo que é interno, difuso e difícil de suportar, passa a estar ligado a um objeto ou situação específica. Pode ser um espaço fechado, um animal, uma exposição social.

Mas, na realidade, o objeto fóbico não é a causa, é uma tentativa de organização da angústia.

Ao evitar esse objeto, a pessoa sente algum alívio.
Mas, ao mesmo tempo, mantém o circuito do medo.
Por vezes, o que mantém esse medo não é apenas o estímulo em si, mas a tentativa constante de evitá-lo. E aqui existe uma diferença importante: quanto mais evitamos, mais o medo tende a crescer.

Porque é que isto acontece?

Por vezes, acredita-se que estas experiências surgem “sem razão”.

Mas, na maior parte dos casos, o que existe é uma história que ainda não pôde ser totalmente elaborada.

  • Experiências passadas.
  • Conflitos internos.
  • Afetos que não encontraram espaço para ser pensados/ressignificados.
  • Períodos prolongados de stress.
  • Fases de maior vulnerabilidade emocional.

Na realidade, o sintoma não é um erro.
É uma forma de expressão.

Uma tentativa, ainda que sofrida, de dar saída a um afeto que insiste em ser manifestado.

O lugar da psicoterapia

A psicoterapia, neste contexto, não se centra apenas na eliminação dos sintomas. O trabalho consiste em criar um espaço onde aquilo que hoje surge no corpo, na forma de angústia, possa ser sentido e narrado, através das palavras a da manifestação dos afetos, ressignificado.

Ao longo do processo, torna-se possível:

  • escutar o que o sintoma comunica
  • reconhecer padrões que se repetem
  • compreender a lógica interna da ansiedade
  • transformar aquilo que era vivido como invasivo em algo que pode ser pensado e sentido de outra forma

Existe uma diferença importante entre fazer desaparecer o sintoma e compreender o que o sustenta/alimenta. E é nesse segundo caminho que a mudança tende a ser mais profunda e duradoura.

Quando procurar ajuda?

Se sente que a ansiedade, o pânico ou os medos estão a ocupar um espaço crescente e condicionante na sua vida, talvez seja importante não olhar apenas para a intensidade do sintoma, mas para aquilo que ele representa.

Por vezes não se trata de controlar mais, nem de resistir mais, mas de poder, finalmente, escutar o que dentro de si tem vindo a ser silenciado.

A terapia oferece esse espaço.

Um espaço onde a angústia deixa de ser apenas algo a suportar e passa a ser algo que pode, pouco a pouco, ser compreendido e sustentado de outra maneira.