O sentimento de pertença é um dos mais importantes no desenvolvimento da consistência interna e autoestima da criança. Para que este sentimento se desenvolva é importante que os pais possam impor limites e verbalizar o seu desejo na educação do filhos.
Em torno dos dois anos de idade ocorre a conclusão da primeira fase da constituição psíquica da criança, dando início a outra fase muito importante chamada na Psicanálise de Complexo de Édipo. Nesta, que perdura até aos cinco anos, mais ou menos, a criança começa a testar os limites dos pais e as birras podem se tornar cada vez mais frequentes.
É fundamental que os pais possam manter o seu posicionamento e não mudar de decisão cedendo ao insistente comportamento da criança para conseguir o que quer. Diante da negativa os pais podem e devem dizer “não pode porque eu não quero que faças isso” ou “sim, vais tomar banho porque eu quero que vás agora”.
O desejo parental presente na justificação do dever de seguir a ordem dada envia para o psiquismo da criança uma mensagem de pertença, extremamente importante, e que irá desenvolver um sentimento de segurança (mesmo com o choro e recusa em atender a ordem).
A criança que recebe esta mensagem sente que pertence aos pais, que está integrada no desejo parental e principalmente, sente que os pais sabem o que é o melhor para ela.
As justificativas pedagógicas para o “não” só terão efeito mais tarde e se estiverem ajustadas a faixa etária da criança. Nada impede de poder explicar para a criança (após a birra passar) os motivos que levaram a tomada da decisão, mas o que fará mesmo sentido nesta fase é ouvir “não pode porque eu (pai/mãe/cuidador) não quero”.
É importante lembrar que uma criança não tem maturidade para escolher o que é melhor para ela e em muitas ocasiões quando os adultos a colocam numa posição de escolha, geram um sentimento de frustração tão grande que a criança continua a fazer birra, mas agora porque ela não sabe o que escolher.
Ter um adulto que faça a escolha pela criança possibilitará que seja desenvolvida a segurança interna necessária para que, posteriormente, quando tiver maturidade suficiente, o seu/sua filho/a sinta-se confiante para fazer as suas próprias escolhas, pois tem a certeza de que tem asas para voar para onde quiser porque um dia lhe deram raízes e sabe que sempre terá para onde voltar se for preciso.
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