Quando era muito jovem, por volta dos 11 ou 12 anos, gostava de caminhar entre os túmulos de um cemitério perto da minha casa.

Naquela altura, não imaginava que anos depois trabalharia com o luto, ajudando pessoas a ultrapassar as suas perdas.
Naquela época, sentia-me frequentemente triste, e andar entre os túmulos dava-me um alívio difícil de explicar. Observava as fotografias, lia as mensagens nas lápides, e imaginava as histórias daquelas vidas que já não existiam mais. Não sei bem sobre o que refletia, mas sei que, ao sair, sentia-me mais leve, com uma sensação de alívio e gratidão por estar viva.
Nos dias de hoje, continuo a andar pelos cemitérios – mas com outro olhar, o da experiência e da escuta de quem já acompanhou muitas despedidas.

A morte continua a ser um tema tabu, principalmente nas culturas ocidentais, dificilmente ou quase nunca ouvimos as pessoas falarem de forma natural ou espontânea, é um não-assunto nas rodas de amigos ou nos encontros familiares. E quando alguém tenta falar nela, há quem diga “nem me fale nisso” como se falar da morte a pudesse atrair, como se fosse mais perigoso do que ignorá-la.
Acredito que se as pessoas aceitassem a sua mortalidade, viveriam com mais verdade. Há pessoas que suportam por tempo indeterminado trabalhos que lhes desgastam, mantém relações que as esvaziam, antecipam problemas e sofrem com medos que talvez nunca se concretizem.
A morte, paradoxalmente, pode ser uma grande aliada da vida. Porque viver como se fôssemos mortais — e somos — dá-nos urgência, foco e presença.
Quanto mais conscientes estamos da morte mais capazes somos de aproveitar a vida – É o intervalo de tempo precioso e escasso que temos entre o nascer e o morrer.
Ela chega, e, é para todos, e para a maioria das pessoas, chega sem aviso prévio.

A morte nos lembra que a vida é sempre sobre um dia a menos, e não haveria problema nenhum nisto se vivêssemos mais conscientes de que o dia mais importante da nossa vida é Hoje!
A Terapia do Luto ajuda a dar sentido à dor da perda, acolhendo o sofrimento com escuta, empatia e presença. O luto não precisa ser vivido em silêncio, nem sozinho.
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