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Qual é a máscara que utilizas no amor?

Nas relações amorosas, assim como no carnaval, as máscaras cumprem uma função simbólica. No período carnavalesco, elas permitem brincar com identidades, libertar aspectos ocultos da personalidade e experimentar papéis sem grandes consequências.

No início de um relacionamento amoroso, algo parecido acontece: usamos máscaras emocionais para sermos aceitos, desejados e amados.

Mostramos nossa melhor versão, escondemos inseguranças, suavizamos conflitos internos e, muitas vezes, silenciamos necessidades com medo da rejeição.

Essa “fantasia afetiva” não nasce da falsidade, mas de um desejo humano profundo de pertencimento.

O problema surge quando a máscara, que deveria ser temporária, torna-se permanente e deixamos de ser quem realmente somos. Diferente do carnaval, que tem data e hora para acabar, nas relações amorosas a manutenção prolongada destas máscaras gera desgaste emocional e sofrimento. O indivíduo passa a viver um personagem que não o representa por inteiro, ou seja, há uma distância significativa entre quem se é e o que se está a apresentar.

Com o tempo, essa desconexão pode se manifestar de forma sintomática, com ansiedade, ressentimento, sensação de vazio ou conflitos recorrentes no relacionamento. Afinal, sustentar uma identidade que não é autêntica tem um preço psíquico muito alto.

Nos relacionamentos, as máscaras costumam ter um propósito: a proteção.

Há quem finja que está tudo bem para evitar conflitos.
Há quem se mostre sempre forte para não parecer vulnerável.
Há quem agrade em excesso com medo de ser abandonado.
Ou quem se afaste emocionalmente para não voltar a sofrer.

Estas máscaras não surgem por acaso. São estratégias aprendidas para lidar com a dor, o medo e a insegurança. Contudo, para conseguir construir uma relação de forma saudável é necessário estar consciente dos seus mecanismos de proteção, de que maneira os utiliza nas suas relações amorosas e, principalmente, de que forma estão a te prejudicar e não a contribuir para conseguires viver o amor da maneira que gostarias na tua vida.

No amor, a verdadeira intimidade começa quando a máscara já não é necessária.

Do ponto de vista clínico, o amadurecimento emocional no amor acontece quando o “carnaval” do encantamento inicial dá lugar a um vínculo seguro.

Tirar a máscara é um ato de coragem: implica revelar fragilidades, limites, medos e desejos reais. Relações saudáveis não são aquelas em que não há máscaras no início, mas aquelas em que, com o tempo, existe o desenvolvimento de uma conexão de confiança suficiente para retirá-las.

Amar, em essência, é permitir-se ser visto sem fantasia e decidir permanecer, mesmo assim.