Fazer terapia é sem dúvida uma aventura, repleta de descobertas, medos, contrução em reconstrução de significados, é uma aventura pessoal capaz de nos reconciliar, de modo duradouro, com a nossa própria história.
Em um dos meus atendimentos uma paciente relatou-me como conseguia perceber o quanto estava a reconstruir-se na terapia, o quanto agora conseguia perceber a sua estrutura primária, o quanto alimentava o caos na sua vida e tentava de uma forma inconsciente buscar alimentar o seu sintoma.
Porque o sintoma estrutural é mesmo assim, não queremos viver uma determinada situação, mas acabamos por fazer escolhas que nos colocam exatamente naquele mesmo lugar, outra vez, e outra e outra, repetidamente… até o momento em que conseguimos tornar consciente esse processo e reconstruir nossa própria história.
Então, eu disse-lhe “a tua estrutura continua lá, é a base da tua personalidade, mas já não comanda as tuas escolhas porque a reconstrução de si faz com que agora queiras te colocar em outros lugares, lugares em que ocupar aquele espaço não te cobre o custo do caos”.
Ela sorri e me diz: “é por isso que eu faço terapia”!
E é nesse lugar que a Psicanálise acontece, na relação com o este Outro (encarnado na figura do terapeuta) e com o estabelecimento do laço transferencial é que, de facto, as mudanças passam a acontecer.
Quando a ansiedade começa a controlar a sua vida: perguntas e respostas para reconhecer os sinais
Ecrãs e Crianças: proteger o tempo de brincar
Vida a Dois: As discussões que afastam e como as transformar
Quem EU sou para além dos papéis que desempenho?