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Divórcio dos pais – Uma Guerra emocional para os filhos!

Cada vez mais o divórcio está presente na vida das pessoas, e sem dúvida, se não há mais motivações, alegrias e projetos para partilhar e manter um casamento, não é ali que se deve estar. Mas o que vem a preocupar cada vez mais, é o ambiente tóxico em que os filhos passam a viver diante da decisão de afastamento de um casal.

É natural que as mágoas, deceções e frustrações desestabilizem um indivíduo.
É natural que diante de uma rutura seja difícil reestabelecer-se.
É natural que o processo de luto do fim de uma relação seja doloroso.

Mas o que não pode ser naturalizado, de forma alguma, é que os filhos estejam envolvidos numa bolha emocional de mágoas, acusações e desrespeito, diante de um conflito que não lhes diz respeito.

Não podemos naturalizar o facto das crianças, de modo consciente ou inconsciente, serem levadas para o meio de um campo de guerra emocional e jogos psicológicos, sendo utilizadas para atingir o outro, seja como escudo de proteção, seja como arma de ataque.

Para quem está magoado/a pode parecer lógico justificar o porquê se está a relatar determinados comportamentos e ações relacionadas ao ex-cônjuge, ou o porquê está a se transmitir determinadas informações sobre os acordos realizados pelo casal em relação aos filhos. Mas não é. Não deve ser feito! Ou seja, não é justificável um filho ouvir ofensas e acusações de um dos seus progenitores em relação ao outro, seja pelo motivo que for.

Não é justificável um adulto projetar no filho/a seus sentimentos de fúria e revolta.
Não é justificável um pai ou uma mãe “transportarem” para a sua cama o/a filho/a para ocupar o espaço do seu próprio vazio.
Não é justificável que uma criança tenha que tentar evitar afeiçoar-se a um/uma novo/a companheiro/a porque sente que se o fizer estará a magoar o pai ou a mãe.
Não é justificável que as crianças sofram as consequências das decisões dos seus pais!

Portanto, é necessário compreender que o divórcio causa dor em todos os membros da família, mas que a dor é muito maior quando o casal não consegue chegar a um entendimento e principalmente, quando passam a discutir na presença dos filhos.

As crianças, em muitas situações, acreditam ser responsáveis pelo desentendimento entre os pais e não alimentar essa fantasia (que normalmente é inconsciente) é extremamente importante. Nos casos mais graves, algumas crianças podem chegar a adoecer (psicossomatização) como forma de evitar a continuação do conflito entre o casal, pois ao adoecer, os pais precisam focar a sua atenção nas necessidades do filho/a e normalmente as discussões diminuem.

É necessário compreender que por mais que esteja a doer, é responsabilidade dos adultos curarem as suas feridas sem envolver a criança neste processo. Buscar apoio psicológico é fundamental para ultrapassar as fases mais difíceis evitando envolver e projetar sentimentos nos filhos diante das inúmeras barreiras emocionais que este processo envolve.

O processo terapêutico irá auxiliá-lo/a a dar um novo sentido ao fim de uma relação conjugal em que sempre haverá um elo de ligação, os filhos, e em que, se necessita recomeçar uma história individual com uma configuração familiar diferente!

Portanto, diante de todas as questões implicadas num processo de divórcio, lembrem-se sempre: Uma criança não deve ser colocada numa posição em que tenha que proteger-se dos próprios pais!