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Quando a ansiedade começa a controlar a sua vida: perguntas e respostas para reconhecer os sinais

Vivemos muitas vezes acompanhados por uma sensação de urgência. Ouço com frequência pessoas que relatam pensamentos persistentes sobre tudo aquilo que poderá correr mal. Antecipam conversas, repetem cenários mentalmente e tentam controlar aquilo que nem sequer aconteceu.

O corpo está num lugar, mas a mente já percorreu todas as possibilidades de futuro. Procuram respostas, garantias e sinais de que tudo ficará bem. E, mesmo quando aparentemente não existe nenhum problema, sentem que há alguma coisa prestes a acontecer e, o pior, o cenário é sempre negativo.

Gastam demasiada energia a imaginar problemas e a procurar antecipadamente formas de os resolver. Na maioria das vezes, esses problemas nem chegam a acontecer ou acabam por se resolver de uma forma totalmente diferente daquela que tinha sido imaginada.

A ansiedade pode, assim, manifestar-se como uma tentativa constante de antecipar o perigo, com o objetivo de nos prepararmos para aquilo que poderá acontecer e, dessa forma, tentar evitar o sofrimento.

A ansiedade é nossa inimiga?

É importante salientar que sentir ansiedade faz parte da experiência humana. Ela ajuda-nos a reconhecer riscos, a preparar-nos para situações importantes e a reagir perante desafios.

Existe, no entanto, uma diferença entre sentir ansiedade em determinados momentos e viver permanentemente condicionado por ela.

Antes de uma entrevista de trabalho, de uma apresentação importante, de uma decisão delicada ou de uma mudança de vida, é natural sentir algum nervosismo. O corpo prepara-se para responder ao desafio.

Portanto, a ansiedade nem sempre é nossa inimiga. Em determinados níveis, pode ajudar-nos a manter a atenção, a preparar uma tarefa com dedicação ou a proteger-nos de um risco.

Mas quando o estado de alerta se mantém mesmo sem existir um perigo concreto, a mente e o corpo começam a viver como se algo de mau estivesse sempre prestes a acontecer.

É nesse momento que a ansiedade deixa de nos proteger e começa a limitar-nos.

A ansiedade torna-se um problema quando deixa de nos preparar para a vida e começa a condicionar a forma como vivemos.

Quando estar alerta se torna uma forma de viver?

Muitas pessoas habituam-se a viver num estado permanente de alerta sem perceberem o quanto isso as desgasta.

Acordam já a pensar nas tarefas que precisam de cumprir. Sentem dificuldade em descansar sem culpa. Releem mensagens à procura de um significado escondido. Antecipam críticas, rejeições ou conflitos. Preparam respostas para conversas que talvez nunca aconteçam.

Por fora, podem parecer organizadas, responsáveis e capazes de lidar com tudo. Mas, por dentro, vivem cansadas de tentar impedir que alguma coisa corra mal.

A mente ansiosa procura segurança através da antecipação. Acredita que, se imaginar todos os cenários possíveis, estará mais preparada para evitar a dor, o erro ou a frustração.

Mas muitas vezes o que está por trás disso é uma dificuldade em tolerar a incerteza e o medo de não ser capaz de lidar com a situação.

O facto de algo poder acontecer começa a ser sentido como se estivesse prestes a acontecer. E o corpo reage a essa possibilidade como se o perigo fosse real.

Quais são os sinais de ansiedade?

Os sintomas de ansiedade podem variar de pessoa para pessoa. Algumas pessoas sentem a ansiedade sobretudo no corpo. Outras percebem-na através dos pensamentos, das emoções ou dos comportamentos.

Entre os sinais mais frequentes podemos encontrar:

  • preocupação constante e difícil de controlar;
  • sensação de que alguma coisa má pode acontecer;
  • pensamentos repetitivos;
  • necessidade de antecipar todos os cenários;
  • dificuldade em relaxar;
  • irritabilidade;
  • problemas de concentração;
  • alterações no sono;
  • tensão muscular;
  • dores de cabeça;
  • desconforto no estômago;
  • coração acelerado;
  • sensação de falta de ar;
  • cansaço frequente;
  • medo de perder o controlo.

Nem sempre estes sintomas aparecem todos ao mesmo tempo. Também não precisam de surgir através de uma crise intensa para merecerem atenção.

Por vezes, a ansiedade instala-se de forma lenta. Vai ocupando o pensamento, alterando hábitos e condicionando decisões até que a pessoa começa a organizar a sua vida em função do medo de falhar, de não ser suficiente ou de não conseguir.

Pensar mais nem sempre significa encontrar uma solução

Quando estamos ansiosos, podemos ter a sensação de que pensar mais sobre um problema nos dará maior controlo sobre aquilo que poderá acontecer.

Mas existe uma diferença importante entre refletir e ruminar.

Refletir permite compreender uma situação, considerar alternativas e tomar uma decisão. Ruminar significa voltar repetidamente aos mesmos pensamentos sem chegar a uma conclusão.

É como andar constantemente à volta do problema sem conseguir avançar para uma solução.

Alguns pensamentos comuns em momentos de ansiedade são:

“E se eu falhar?”

“E se alguma coisa acontecer?”

“E se eu tomar a decisão errada?”

“E se eu não conseguir lidar com as consequências?”

Muitas vezes, o que está por trás destas perguntas é a necessidade de certeza. Queremos garantir que não vamos sofrer, errar, perder ou dececionar alguém.

No entanto, nenhuma quantidade de pensamento consegue eliminar completamente a incerteza da vida.

Quanto mais tentamos controlar o futuro, mais atentos ficamos a tudo aquilo que pode escapar ao nosso controlo. E aquilo que deveria trazer segurança acaba por alimentar ainda mais a ansiedade.

Como a ansiedade pode surgir?

Nem sempre a ansiedade se manifesta através de ataques de pânico ou de sintomas facilmente reconhecíveis.

Por vezes, aparece na necessidade de agradar aos outros, no medo de dizer “não”, na dificuldade em tomar decisões ou na procura constante de aprovação.

Pode surgir através da procrastinação, não por falta de interesse, mas pelo medo de não fazer bem o suficiente.

Também pode estar presente no perfeccionismo, na revisão excessiva de cada detalhe ou na sensação de que nunca se está verdadeiramente preparado.

Há pessoas que precisam de confirmar repetidamente se fizeram a escolha certa. Outras procuram garantias constantes nas relações, temendo que um silêncio, uma mudança de tom ou uma resposta mais demorada sejam sinais de rejeição.

Por vezes, não se trata de falta de confiança nas outras pessoas. Trata-se da dificuldade em encontrar uma sensação de segurança dentro de si.

Quando pode ser importante procurar ajuda psicológica?

A ansiedade merece especial atenção quando começa a interferir com o sono, o trabalho, as relações, a capacidade de tomar decisões ou a possibilidade de aproveitar momentos que anteriormente eram vividos com maior tranquilidade.

Também pode ser importante procurar acompanhamento psicológico quando começa a evitar situações por medo, quando organiza cada vez mais a sua vida em função daquilo que pode correr mal ou quando sente que a preocupação se tornou difícil de controlar sozinho.

Não é necessário chegar a uma crise intensa para reconhecer que a ansiedade está a ocupar demasiado espaço na sua vida.

Reconhecer que a ansiedade está a ocupar demasiado espaço pode ser o primeiro passo para compreender aquilo que alimenta esse estado permanente de alerta.

A psicoterapia pode ajudar a desenvolver novas formas de lidar com a incerteza, com o medo e com a necessidade de controlo, permitindo recuperar gradualmente uma maior sensação de liberdade e bem-estar no dia a dia.

Se sente que a ansiedade está a condicionar a sua vida, procurar acompanhamento psicológico pode ser o primeiro passo importante para começar a promover mudanças na sua vida.