Enquanto os ecrãs ocupam cada vez mais espaço no desenvolvimento infantil, o brincar continua a ser a expressão mais essencial da infância.
Na psicanálise, o brincar não é visto apenas como passatempo. É uma forma privilegiada através da qual a criança expressa fantasias, medos, desejos, conflitos e experiências que ainda não consegue colocar em palavras.
Quando brinca, a criança não está “só a brincar”. Está a construir simbolicamente a sua realidade interna, a experimentar papéis, a organizar emoções, a elaborar experiências e a desenvolver recursos importantes para lidar com a vida.
Num tempo em que os ecrãs surgem cada vez mais cedo e ocupam tanto espaço no quotidiano infantil, torna-se fundamental resgatar o valor da brincadeira livre, criativa e relacional. Brincar com blocos, desenhar, inventar histórias, correr, imaginar e estar com outras crianças permite à criança criar, simbolizar, esperar, frustrar-se, reparar e transformar.
O brincar oferece algo que o excesso de estímulo digital não substitui: presença, vínculo, imaginação, relação e elaboração emocional.
Cuidar da infância é também proteger o tempo de brincar.
Porque uma criança que brinca não está apenas entretida. Está a crescer por dentro.
Brincar é também uma forma de cuidar da saúde mental infantil.
Proporcionar momentos livres para o brincar espontâneo é dar tempo para a criança se desenvolver psicologicamente.
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